sábado, 31 de outubro de 2009

Capítulo 9 - O Sonho



Não se via nada, de fato, não era pela escuridão, mas sim pela luz forte que chegava a cegar Samantha. Sem saber onde estava começou a caminhar sem rumo, até ouvir novamente o choro de um bebê.

Sem sentir medo algum, ou qualquer outro sentimento, Samantha foi em direção ao som, que por sinal ia aumentando.Caminhou pelo chão iluminado até deparar-se com uma sombra, semelhante ao corpo de uma mulher.

Por um leve segundo, Samantha teve a impressão de estar sendo carregada por Scott, este correndo logo atrás de Ricardo.Como em um flashback, numa fração de segundos sua mente voltou para o local onde se encontrava, deixando-a mais confusa.A estranha sombra logo se aproximou, o ar a seu redor, frio como o pico de uma montanha, fez com que Samantha se arrepia-se:

- Que lugar é esse ? – perguntou Samantha. – Onde estou Sônia ?
- A pergunta certa seria “Por que estou aqui?” – respondeu a sombra com uma voz firme e cavernosa. De fato aquela sombra luminosa, alma ou espírito, era Sônia Jordan. – Vou lhe dizer, ouça bem estas palavras, a pouco atrás fui enviada a seu mundo para lhe entregar uma mensagem...
- Sim, eu me lembro bem, é por isso que Scott e eu viemos parar aqu... Fomos parar na boca do inferno! – disse Samantha, querendo culpar Sônia.
- Eu lhe peço que preste atenção, só poderei lhe dizer uma vez, escute bem o plano do Pai. O mundo está perto do fim, vocês... nós todos destruímos o planeta, o ser humano... – por um leve instante ela fez uma pausa. – Ele está chocado com tudo, esse vírus foi a gota pra ele,por isso era preciso que alguém espalhasse tudo isso pelo mundo, para que possamos assim renascer.
- O que ? Como assim ? Eu não estou entendendo... – se espantou Samantha.
- Toda fênix renasce das cinzas Samantha. – respondeu Sônia.

Um estouro seco, anunciava mais um infectado caído, após Ricardo puxar o gatilho de sua cartucheira. Scott sem forças para nem mesmo correr, tinha ainda que carregar Samantha em seus braços. Não era certo o que ali se passava, mas Samantha pode ver seu amor tropeçando em um objeto qualquer, engolido pela escuridão, fazendo-o cair junto com ela em seus braços, logo atrás um infectado, um jovem infectado, com aproximadamente 18 anos de idade, se jogou para cima do casal caído em um mar de poeira...

Sua cabeça girava como um carrossel, tinha a impressão de ver estrelas, novamente voltada para o misterioso local onde Sônia lhe tissava a fazer um dilúvio.

- Minha cabeça está confusa – afirmou Samantha. – qual o motivo de eu estar aqui ?
- Nem mesmo eu sei lhe responder, contudo você não se lembrará de nossa conversa. – respondeu Sônia.
- Isso é uma loucura, nós podemos dar um jeito na situação, podemos reverter o efeito do vírus! – exclamou Samantha.
- Já é tarde, é tarde demais para pensar nisso.
- Pense bem, diga a ela Sônia Jordan, por Tom, você o ama, não? – perguntou Samantha, tentando convencer a estranha figura a sua frente.
- Não foi culpa dele, o que você está insinuando ? – o ar na redondeza ficou denso.
- Vocês estão finalmente juntos, pense em sua família, seus amigos, ainda dá tempo !
- Digamos que Tom e eu não estamos juntos. – afirmou Sônia com uma tristeza na voz. – contudo, nenhum homem nasce por acaso, toda pessoa vem ao mundo com uma missão, ninguém faz o seu caminho, o destino já tem o caminho guardado e você deve parar de questionar as ordens dele, cumprir sua parte seguir o que o destino lhe reservou.
- O que você diz não tem sentido.Você não é real, isso tudo não é real, Deus nos ama, e nós amamos Deus. – disse Samantha com firmeza na voz. – pelomenos algumas pessoas.
- Não, não, não.Novamente você se enganou, de fato havia amor, mas agora só há decepção, está na hora de todos receberem o castigo, pelo mal que cometeram.

O céu se fecha para o sol, e desabafa. A chuva cai lavando e levando todas as impurezas por onde passa. Correndo pelo barro e poças de água, o herói dessa estória se via numa situação constrangedora. Fazia algum tempo que sua esposa estava desacordada e, dificilmente era carregada pelos braços do mesmo, sendo atirada para dentro de um carro, dando assim, tempo para dar inicio ao fim da confusão.

- Acho que já está na hora de você partir, – disse Sônia. – você saberá o que fazer.
- Mas você disse que eu não vou me lembrar de nada. – afirmou Samantha.
- Somente o necessário, somente o necessário. – respondeu Sônia, a mulher morta, cuja voz ia ficando cada vez mais fraca.
- E como eu volto? – perguntou Samantha.
- Voltar pra onde? Você tem certeza de que está aqui? O sonho termina...

Agora, Samantha via-se de volta em seu mundo, ou o que parecia ser. Estava sentada de mau jeito no banco do passageiro do carro de Scott, este por sua vez dirigia desesperadamente.

- Scott ? – perguntou Samantha.

O rapaz se assustou, e logo se alegrou por Samantha estar bem.

- Samantha, o que aconteceu com você?
- Eu...eu não sei, eu não lembro. – respondeu confusa. – Onde...cadê o Ricardo? – perguntou agora, percebendo que o rapaz não estava no carro.
- Ficou pra trás.

Assustada com a resposta, Samantha finalmente percebeu o que estava acontecendo.Quando o fim começa, o sonho termina.

8 comentários:

Macaco Pipi disse...

achei tenso
NO BOM SENTIDO!

Pobre esponja disse...

Minha sobrinha adora esses contos de terror, repassarei a ela.

abç
Pobre Esponja

Dolfe disse...

Cara, cadê a continuação? desiste não vei!

no aguardo do proximo capitulo!!

ps: Sou o Rodolfo do conto Cidade dos Mortos!

vanderhells.com disse...

muito legal dá até para fazer um filme "b"
att
vander

Guilherme Lombardi disse...

excelente o conto, parabéns!

Noite em Claro disse...

EStou seguindo o blog, vou ler com calma todos os capítulos e, com sua concordância, farei um comentário crítico.

Mudando de asunto, no início deste ano, eu pensei em enviar um conto para um livro que estava sendo preparado, Território V.

O livro foi um sucesso, mas, infelizmente, não consegui terminar o pretendido conto a tempo; afinal de contas, quando se trata de literatura, e partindo "do nada", prazos são complicadíssimos de se cumprir.

Porém, decidi tirar esse conto da gaveta e publicá-lo em um blog que tenho e estava inativo (http://ascronicasnoturnas.blogspot.com/), para
que alguns amigos possam ler e opinar.

O dividirei em partes e as publicarei todos os domingos, pois o conto original tem 10 páginas e isso é muito para se ler no pc de uma tacada
só.

Gostaria que todos, quando possível, se dispusessem a ler, quando sobrar tempo ou faltar inspiração, e opinassem, criticassem, sei lá.

De outra maneira, nunca saberei se possuo o que é necessário para me dedicar a uma "carreira" literária e, afinal de contas, preciso começar
por algum lugar!

Abraços e obrigadíssimo pela atenção.
http://ascronicasnoturnas.blogspot.com/

Noite em Claro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Noite em Claro disse...

E aí, vc desistiu de escrever? Cadê os outros capítulos, tem um monte de gente querendo saber....

Outra coisa, esqueci de deixar o endereço do meu blog de variedades. Apareça lá

www.temalgumacoisaerrada.blogspot.com

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